ALLMIXED NA TOYSLAND (CLUBEMAMBE)

Rodando por Brasília comecei a reparar num “personagem” colorido que estava em cada canto que olhava. E a cada mês duplica a quantidade pela cidade. Esses graffitis geralmente estão bem acompanhados,  junto com o POMB, OMIK, SIREN, YOUNG e vários outros artistas que contam histórias nos muros de bsb.

Curiosos, fomos atrás do Daniel, aka TOYS para trocar uma ideia sobre o trabalho dele junto com o @clubemambe, formado pelos outros artistas POMB e OMIK.IMG_9806B – E aí TOYS, se apresenta:

TOYS – Eu sou o Daniel, o TOYS, tenho 24 anos, comecei a pintar quando tinha 13 anos e desde criança já desenhava, nem me lembro quando comecei. O graffiti surgiu na minha vida através do skate, quando ia aos skateparks. Via os desenhos e pirava, queria muito fazer aquilo. Gostava de letra desenhada e o graffiti é exatamente isso.

B – Eu tentei também fazer graffiti na minha adolescência, mas não teve futuro, era bem tosco e deixei quieto, rs.

TOYS – Muita gente que conheci parou, a vida vai te dando outras prioridades e você acaba parando, mas graças a Deus continuei e sempre fluiu bem.IMG_9809 IMG_9813 IMG_9814B – Desde quando você decidiu que queria viver de arte e não seguir o padrão de Brasília, que é concurso público? Você fez faculdade? Quis seguir carreira?

TOYS- Eu fiz publicidade, trabalhei uns 3 anos em agência e aprendi coisa pra caramba. Acredito que foi a grande base de eu ter largado o emprego. Mas desde sempre meu sonho era trabalhar com algo meu e que gostava. Chegou uma hora que eu vi que ia dar certo. Comecei a juntar grana e recebi um convite para viajar pra Argentina, Chile, e assim que voltei pensei: Se deu certo lá vai dar certo aqui, então comecei a trabalhar par mim.

Sempre tem gente que quer te botar pra baixo, mas acredito que mais pessoas surgem pra te levantar, ajudar e se unir. Eu sempre brinco com o Mikael (OMIK) e o POMB que a gente vai tomar um açaí segunda a tarde, mas virou o domingo trabalhando e nome disso é LIBERDADE! Rs. Trabalhamos com prazo e sempre cumprimos, mas não temos aquela rotina comum.IMG_9805 IMG_9807 IMG_9811 IMG_9815B – E a questão de empresas procurarem vocês para trabalhar, como é a visão de vocês sobre pintar muitas vezes em lugares escondidos, pagando o material pra deixar sua marca e hoje mudar o cenário?

TOYS – Antes tinha que bancar do próprio bolso pra pintar, me programar por conta de outros trabalhos, e antes a galera de Brasília achava legal o graffiti, mas não tinha contato com o artista. Agora mudou, as redes sociais ajudaram bastante e aos poucos os trabalhos foram surgindo e multiplicando. O segredo é sempre fazer um trabalho melhor que o outro.

B – E a criação dos personagens? Como foi?

TOYS – Percebi que uma figura chama mais atenção e interage mais que a letra. Quando você desenha uma mulher realista ou uma arara, por exemplo, vai encher mais os olhos das pessoas. E o personagem que criei tem uma história por trás e que as pessoas se identificam. Lógico que não é todo mundo que gosta, mas a aceitação é maior, ainda bem. Rs.

O primeiro que eu criei foi o TOYSZIM, que sou eu, e é o monstrinho que vai pintar a cidade toda. Como sempre fiz letra, criei os personagens em cima das letras, que é a TOYSLAND. E viajando criei outros personagens, o TOTOYS foi quando fui pro Chile, por exemplo. Todos divertidos e que tem haver com a minha vida.

O GATOYS quer pegar todas as gatinhas, mas criei uma leoa pra fazer par com ele e que nunca vai conseguir pegar, porque é isso que acontece na vida. Você nunca vai conseguir pegar a mina que mais gosta. Todo personagem tem uma história e alguém para se identificar com eles.

Eles não têm braço porque vieram da TOYSLAND, então são vírgulas, o nariz do TOYSZIM é um T.

(OMIK – E isso sem droga!!! ) hahaha, sem droga, só água e suco.IMG_9819 IMG_9821 IMG_9827 IMG_9826 IMG_9829B – hahahaha.

TOYS – Quando conto isso, a galera fala pra eu fumar um que vou pirar, mas eu digo não, não, valeu! Rs. O Mikael também criou as personagens dele, que são as Onikas. Conta aí!

OMIK – As personagens são cegas e foram baseadas numa história de vida. Acho que quem vai pra rua e faz ilustração consegue ter uma visão diferente da população “comum”, porque você se depara com várias situações durante o dia. E eu sempre observei muito a condição dos cegos, tanto na dificuldade de transporte e a sensibilidade dos outros sentidos.

Eu comecei a desenhar por causa do Maurício de Sousa, o desenho dele era simples e eu tentava copiar, mas sempre ficava feio. E tentando desenhar Mangá, ficava bom! Porque esses desenhos japoneses tem uma fórmula, então por mais que pareça difícil, todos tem técnicas que dá pra aprender. Agora o desenho do Maurício são traços pessoais, então por mais simples que sejam, ao mesmo tempo não é.

Quando você cria sua arte, você se coloca no meio, e aquilo se torna você. E a Onikas não tem boca porque não falam, não tem nariz porque não sentem cheiro. Quero que elas tenham expressão corporal e que interajam com as pessoas que estão em volta dela.

Quando pinto com o TOYS, sempre brincamos. Faço a Onika e ele o GATOYS, que quer conquistar ela com seu olhar hipnotizante, mas como ela não enxerga, o feitiço dele nunca vai pegar nela. Então ela trata ele como gatinho mesmo.IMG_9840 IMG_9817 IMG_9849B – Muito irado! E quais trampos que vocês olham hoje e pensam: Olha aonde a gente chegou!

TOYS – Tem vários! Sempre paramos para fazer essa análise. Pintar o escritório da Red Bull mesmo foi animal! E tudo pelo nosso trabalho. Entregaram a chave e deixaram tudo na nossa mão. Essa confiança deixa a gente muito feliz.

OMIK – Recebi um email de uma mãe contando a história do filho dela que é deficiente auditivo, que consequentemente não fala. Ela escreveu sobre um graffiti que fizemos e o filho dela sempre apontava e tentava chamar a atenção dela. Mas a mãe achava que ele apontava sempre para o céu. Na real, ela nem reparava no graffiti. E isso rolou várias vezes até que um dia ele desenhou a Onika e mostrou pra ela. E aí que ela percebeu que não era o céu que ele mostrava. Isso me emocionou bastante, porque ele interagiu com a personagem de uma maneira muito legal que sempre queria mostrar pra mãe.IMG_9825 IMG_9820TOYS – O graffiti é muito legal porque você vive os extremos. Posso pintar na crackolândia tranquilo na hora que eu quiser e outro dia estou sendo pago para pintar uma cobertura. E tratado super bem em todos os lugares. O graffiti tem um poder incrível! Já pintei nas favelas do Rio e os caras passavam com fuzil do meu lado e elogiando. A arte une muito.

Nada paga as experiências e as amizades que o graffiti me deu.

B – Massa TOYS e OMIK! Obrigado por receber a gente! O espaço tá lindo! Vocês mandam muito!IMG_9816 IMG_9862 IMG_9866Então se você não conhece a arte dessa galera não sei em que estado ou país você vive! Mas vale a pena ficar ligado nos projetos deles.

Sigam eles nas redes:

@toysdaniel

@mikaelomik

E o @pomb_ que não estava presente no dia mas trabalha junto com os caras.

Valeu!

Bruno e Ju.

CRU - Comida, Transformação e Arte
Dunkin' Donuts Brasília

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